União e luta em defesa do Banco

Antonio Fausto do Nascimento

Nos últimos trinta anos, o Banco do Brasil esteve ameaçado de privatização pelo menos em duas ocasiões. No início da década de oitenta do século passado, quando o País quebrou, entrou em recessão,  inflação descontrolada e perdeu o crédito externo, acumulando uma dívida impagável, finalmente negociada. Como principal captador de empréstimos em moeda estrangeira, cumprindo orientação do governo, o Banco enfrentou dificuldades no mercado internacional.

Tendo perdido prerrogativas  e fontes de recursos, ante a criação do Banco Central, entre elas a “Conta Movimento”, o Banco do Brasil foi, ao mesmo tempo, impedido de operar em todos os segmentos do mercado, em igualdade de condições com os estabelecimentos privados. Produtos como Poupança, CDB, Fundos de Investimento e outros,  estavam vedados ao Banco que, desse modo, ingressava num quadro de estagnação e queda acentuada de capitalização e lucratividade.

A reação do Funcionalismo  foi decisiva na preservação do BB como banco estatal, em condições de competir com o setor privado, vindo a transformar-se num conglomerado, com destaque entre os maiores do mundo, mantendo a condição de maior estabelecimento bancário do País, com relevantes serviços prestados  à sociedade brasileira, em dois séculos de existência.

Liderados pela AAFBB, os aposentados alinharam-se aos servidores ativos e suas entidades, em manifestações massivas, pela preservação e fortalecimento do Banco. Passeatas memoráveis ocorreram no Rio de Janeiro e noutras capitais. É dessa época, a fundação de outras associações e seu importante contributo  à vitória do movimento, que se desenvolveu na transição do regime militar ao Estado de direito, um período de grande efervescência política e mobilização das massas populares, por seus direitos e reivindicações, que vieram a ser incorporados à Constituição de 1988, em vigor.

A segunda fase de ameaças ao Banco do Brasil ocorreu na década de noventa,  num período, igualmente de recessão, hiperinflação, endividamento público, obrigando os governantes de então a promoverem um amplo programa de privatizações, particularmente de empresas deficitárias que o Estado  não tinha condições de socorrer, em virtude da crise fiscal concomitante. Mais uma vez o Banco foi poupado, não foi incluído no referido programa, em que pesassem as pressões em  contrário. O Funcionalismo, ativo e aposentado, e suas entidades, tiveram seu protagonismo nessa nova campanha, em defesa do Banco, que já se relacionava com questões referentes à PREVI, à CASSI, aos famigerados planos de demissão voluntária-PDV e de aposentadoria incentivada, que tanto têm prejudicado o Banco e seus servidores.

Desde o início do atual governo, retornaram as pressões pró-privatização do Banco e medidas de enfraquecimento da instituição, mediante o fechamento de centenas de agências, demissão, via PDV, de milhares de funcionários, extinção de cargos de chefia e piora das condições de trabalho. Verdadeira orquestração, oriunda de forças políticas demagógicas e repercutidas pela mídia,   inclui outras empresas estatais estratégicas como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal, cuja privatização não consulta a soberania e o interesse nacionais, a retomada do crescimento e a superação da crise fiscal e previdenciária.

Sem preconceitos estatizantes ou neoliberais, privatizações podem e devem ser admitidas sempre que convierem ao interesse público. Segundo a colunista Lydia Medeiros (O Globo-15/12/2017), das 149 (cento e quarenta e nove)  estatais existentes, 18 (dezoito) são deficitárias, empregam 74 mil funcionários e não sobrevivem sem o financiamento do governo federal. Algumas, criadas mais recentemente, não dispõem de receita, apenas despesas, e sequer são operacionais, não se justificando a existência como empresas.

No ano eleitoral que se avizinha, é indispensável que as entidades de servidores ativos e aposentados mobilizem os associados e desenvolvam programas de  esclarecimento da população e de personalidades da vida política acerca da inaceitável privatização do Banco do Brasil e demais estatais estratégicas, com vistas a um futuro de paz, democracia, serviços públicos de qualidade e redução das desigualdades sociais.