Velho é quem se acha

Gilberto Santiago

Foi com este título que recente artigo do cronista Zuenir Ventura nos fez meditar sobre os diversos aspectos, bons e maus, da longevidade em nosso país. Na realidade, a conclusão a que chegamos é a importância de como encaramos a passagem dos tempos e a forma como nos preparamos para o enfrentamentos das dificuldades inerentes à chamada terceira idade.
Lembram-se das “balzaquianas” (referência à época do escritor francês Honoré de Balzac), motivo até de uma música de carnaval? Pois bem, já eram consideradas “maduras” as mulheres de 30 anos. Hoje, tenho um filha de 48 que mais parece um “brotinho” (expressão também usada naquela época). Segundo revelado recentemente, há colegas nossos aposentados com mais de 100 anos que ainda recebem sua aposentadoria pela PREVI.
Muito progresso foi derivado das descobertas científicas (os antibióticos surgiram nos meados do século passado) e das mudanças de hábitos alimentares e comportamentais.
Por outro lado, conforme bem diz o Zuenir, nem sempre é a idade que nos torna felizes ou infelizes, e sim como a nossa cabeça enfrenta essa fase da vida, Enquanto isso, aconselha-nos a viver cada dia com a intensidade dos que não têm a certeza do amanhã. É o “carpe diem” do poeta latino Horácio ou, como dizem os versos do imortal Vinicius, “a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo”. Com saúde, é claro. Até porque, como ressaltou, outro dia, a Regina, colega nossa aposentada, dependemos mais da sustentabilidade da CASSI do que da PREVI porque, no aperto financeiro a gente se vira, um parente ajuda, apertamos o cinto. Mas, sem saúde, nem sempre o dinheiro resolve. Mais um bom motivo para lutarmos pelo equilíbrio de nossa Caixa de Assistência.
De qualquer maneira, estamos mais bem conservados do que nossos antepassados. E, como afirma o cronista, graças às duas principais virtudes anciãs – a paciência e a tolerância – pode-se constatar que, assim como ocorre com o pôr do sol (quase sempre mais lindo que o nascer do dia), existe também no nosso entardecer uma serena e crepuscular beleza a apreciar. Mas ressalta: se a vista não estiver cansada e as lentes embaçadas.

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