Aqui, como em qualquer outro país do mundo capitalista, manda quem detém o poder econômico. Não importa o sistema de governo nem a forma pela qual este é exercido. Dependendo da qualidade estrutural do Estado, os governantes cedem mais ou oferecem alguma resistência à prepotência dos interesses econômicos dos grupos dominantes. A divergência entre situação e oposição, mais das vezes, é função de conflito interno desses grupos. Nos fundamentos do processo, estão unidos.
Nos sistemas presidencialistas democráticos, é frequente a instalação, no eleitorado, de esperanças em acentuadas mudanças, em razão da origem ou da biografia do candidato ao cargo do executivo. Este, entretanto, após eleito, cedo ou mais tarde vem a confirmar a regra de submissão ao poder imperativo. A menos que, na sociedade, haja elevado grau de unidade e organização que possibilite, em determinados episódios, a imposição de seus interesses pontuais.
Os exemplos, tanto positivos quanto negativos, estão registrados na história. Por isto mesmo, em nosso país, não poderia ser diferente.
Instalada a crise financeira em escala mundial, principalmente nos Estados Unidos, vimos a presteza com que os governos atenderam às premências das empresas privadas. Algumas delas em estado falimentar por problemas de gestão e não, somente, em razão dos fatores da crise. Para isto, tanto lá como aqui, usam os recursos da Nação ou favores fiscais, portanto, recursos públicos. Melhor enfocando: recursos do público, do povo.
E, quanto a isso, só não houve maior contestação, porque o poder econômico, dominando a grande mídia, impregna a Nação de ideologia favorável ao socorro da iniciativa privada, como forma de manutenção de empregos e de salários. Porém, este processo de "ajuda" não é repassado aos salários ou aos preços do consumidor final.
Por que, então, não fazer o atendimento diretamente ao mercado interno? Proporcionando aumento de postos de emprego, via redução do horário de trabalho, melhoria salarial e outras formas diretas de aumento do poder aquisitivo capaz de atender à demanda da produção? Não somente por bolsas famílias.
Em vez disso, fica o atual governo (cuja origem e passado recente, admitem a crítica) adiando indefinidamente a correção das injustiças no âmbito da previdência social, sob o falso pretexto de déficit orçamentário. Ao não sancionar as leis que, aprovadas no Congresso, uma uniformiza os índices de reajustes das aposentadorias e pensões e outra extingue o "fator previdenciário", fraude aritmética imposta contra os direitos constitucionais dos trabalhadores que se vão aposentar.
Não fosse a consciência do caráter do poder, poderíamos admitir a existência, por parte dos governantes, de preconceito contra aqueles que, por serem aposentados e pensionistas, não mais integram o contingente de mão de obra produtiva. Até mesmo nisso incorrem, os governantes, em equívoco: pelos baixos proventos auferidos, mais da metade retorna à atividade remunerada, ai sim, concorrendo para o desemprego dos mais jovens.
Quem sabe? Uma redução na taxa Selic (só defendida pelo CMN) não ensejaria, pela redução do pagamento dos juros da dívida pública, recursos mais que suficientes para atender à justa demanda dos aposentados, pensionistas e trabalhadores brasileiros?
Aumentemos nossa unidade e organização, para obtermos a vitória.