Ainda não! Mas não se iludam: os indícios são claros de que preparam campo para isso. A onda de privatizações do governo passado não logrou tal objetivo, embora o pretendesse. Além da complexidade para implementar a medida, sabiam da possibilidade de reação popular e então tinham de esperar a poeira baixar. O mesmo se pode dizer com relação à Petrobrás.
Maílson da Nóbrega, em artigo publicado pela Revista VEJA de 22 de abril último, defende a privatização do banco. Numa análise superficial, (e justificável pelo pouco espaço) dos (ditos) duzentos anos da Instituição, aponta erros e acertos, dando ênfase àqueles. Finaliza demonstrando a fragilidade administrativa do BB, cujas barreiras foram incapazes de impedir a ingerência governamental demonstrada no recente episódio da ordem para baixar os juros e expandir o crédito. A conseqüência dessa "obsessão" do governo - afirma - poderá levar a "uma NOVA ruína do banco . em próximas administrações".
O artigo do ex-ministro merece ser lido e analisado. As falhas estruturais apontadas podem servir para mudanças de rumo. Mas não se pode destruir uma estrutura tão importante devido a vícios administrativos; cumpre corrigi-los. Aí está a principal lição que se pode tirar do episódio. Não cabem, agora, ressentimentos pela extinção da conta movimento ou criticar a política econômica "feijão com arroz" que no passado implantou.
Se a nós deu o que pensar o artigo do ex-ministro, outros também se ocuparam do assunto. O Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília, Theófilo Silva, em erudito trabalho, comenta o artigo em que o Dr. Maílson defende a venda do Banco do Brasil. Diz ter lido o artigo e lembrado de Brutus, da tragédia Júlio Cesar, do grande bardo. E apela para a subjetividade para fazer comparações entre ambos e algum juízo a respeito.
Conjectura ele: Maílson quer "aniquilar o ser que o criou, a instituição bicentenária que o tirou de uma humilde cidade da Paraíba e o projetou nacionalmente". E indaga: "Qual o motivo que move um "filho" a destruir uma das mais prestigiosas instituições do país, numa nação carente de instituições?"
Procurem ler o artigo do Dr. Maílson. Atentem para o que é bom, mas não se esqueçam de que há omissões. Quando afirma que, no passado, "O BB quebrou na prática, mas foi salvo da falência com bilhões dos contribuintes." lembrem-se de que boa parte do "socorro" proveio da PREVI, que adquiriu ações vendidas pelo banco por valor muito acima do preço da Bolsa. E também que em 1997 houve um "acordo" com a Previ, que deu a esta prejuízo de mais de cinco bilhões. E que em 2001 o banco foi capitalizado "sem que qualquer acionista pusesse a mão no bolso", pois sangraram a Previ em mais de dois bilhões. E verifiquem quanto do lucro do banco, em 2007, decorreu de recursos tomados da Previ. Com relação ao balanço de 2008, acesse o site do bb e verifique a grave ameaça que certamente se concretizará.